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GrátisLição 15 de 20 · Leitura e solfejo · 22 min de leitura

O piano como ferramenta do cantor

Não é preciso saber piano: com cinco dedos e três acordes você consegue se dar a nota, guiar suas vocalizações e se acompanhar.

O que você vai aprender

Nesta lição você vai usar o piano como um cantor usa, e não como um pianista: para encontrar uma nota, pegar a referência antes de cantar e marcar as suas próprias vocalizações. No final, você vai conseguir montar três acordes com uma mão só e se acompanhar numa música simples com o baixo na outra.

Do que você precisa

Uns 22 minutos e o piano do app, na ferramenta Piano e MIDI; se você tem um teclado em casa, qualquer um serve também. Você vai ouvir e tocar o MIDI 'Encadeamento I–IV–V–I com inversões', e no final espera por você uma pauta guiada para escrever o que tocou. Não precisa de nenhum outro material.

Se você está começando

Se você nunca tocou piano, esta lição foi pensada justamente para você: não vai precisar ler partituras, nem de velocidade, nem de anos de aula, só de cinco dedos e um pouco de paciência. No seu caminho, esta é a lição que dá independência, porque a partir daqui você consegue se dar a nota e conferir o que canta sem depender de ninguém. Vamos devagar, tecla por tecla.

Palavras que vão aparecer

Dó central
O Dó mais próximo do meio do teclado (Dó4): a tecla branca logo à esquerda do grupo de duas pretas do centro.
Semitom
A menor distância entre duas notas: de uma tecla do piano até a vizinha imediata, seja branca ou preta.
Dedos 1 a 5
Os números dos dedos no teclado: o polegar é o 1 e o mindinho o 5, nas duas mãos.
Tríade
Um acorde de três notas alternadas, como Dó-Mi-Sol.
Inversão
O mesmo acorde com as notas em outra ordem, para a mão quase não precisar viajar.
Fundamental
A nota que dá nome ao acorde; no acompanhamento, quem a toca é a mão esquerda, embaixo.
Transpor
Tocar ou cantar o mesmo desenho começando de outra nota.
MIDI
Um arquivo que diz ao app quais notas tocar; o piano do app grava e exporta esse arquivo.
Pratique o que está lendoEscreva a ideia na pauta e ouça. Não precisa terminar de ler antes.

Não é preciso saber piano para usá-lo

Talvez você pense que piano é coisa de pianista e que, sem anos de aula, não faz sentido chegar perto. Mas tocar piano e usar o piano são coisas diferentes. Para tocar são precisos anos; para usar como cantor, basta muito pouco: encontrar uma nota, apoiar cinco dedos e montar três acordes. Com isso você já consegue se dar a nota antes de cantar e marcar uma vocalização (um exercício cantado, como uma escalinha que sobe e desce) sem depender de ninguém. Também vai conseguir acompanhar uma música simples. Ninguém vai pedir velocidade nem leitura de partitura à primeira vista. O que você ganha é independência: deixa de praticar às cegas e começa a conferir com o ouvido o que canta.

O mapa do teclado: encontrar o Dó central

Da primeira vez, um teclado parece um muro de teclas iguais, como uma fileira de casas sem número. Mas ele tem um desenho que se repete, e esse desenho é a sua bússola. Olhe só as pretas: elas vêm em grupos de duas e de três, alternados. A tecla branca que fica logo à esquerda de cada grupo de duas pretas é um Dó. Há vários Dós no teclado, e o mais próximo do centro é o Dó central (o Dó do meio, também chamado de Dó4). Em 'Ler a pauta' você o viu escrito numa linha suplementar (um risquinho curto fora das cinco linhas) entre as duas claves: é a mesma nota, agora embaixo dos seus dedos. Se você se perder, volte ao grupo de duas pretas: ele sempre leva você a um Dó.

Distâncias que se veem: tons e semitons

Quando você canta, a distância entre duas notas é ouvida. No teclado, além disso, ela é vista, e isso ajuda muito. Um semitom (a menor distância entre duas notas) é passar de uma tecla para a vizinha imediata, não importa se é branca ou preta. De Dó até a preta que fica à direita há um semitom; dessa preta até Ré, outro. Dois semitons juntos formam um tom, por isso de Dó a Ré há um tom. Agora repare em Mi e Fá, e em Si e Dó: são brancas coladas, sem preta no meio, então entre elas há só um semitom. Se algum dia ficar na dúvida, conte teclas vizinhas sem olhar a cor. Assim você não se perde.

Sentar com conforto: o piano também não se aperta

Ao cantar, a tensão a mais rouba som da voz, e com o piano acontece o mesmo. Por isso vale se ajeitar antes de apertar uma tecla. Sente na metade da frente da cadeira, com os pés apoiados no chão, porque assim o corpo fica estável sem esforço. Os antebraços ficam mais ou menos na altura do teclado. Deixe os ombros caírem, já que é dali que começa o peso do braço. Os dedos ficam um pouco curvos, como se segurassem uma bola pequena. A tecla não se aperta com força de dedo: ela desce com o peso do braço, que cai e descansa. Se for difícil soltar, tudo bem: quase todo mundo aperta no começo. Quando notar que o ombro sobe ou a mandíbula aperta, pare um momento: sacudir as mãos de leve basta para soltar.

Dedos do 1 ao 5: a sua posição de cinco notas

Para as indicações ficarem claras, no teclado os dedos têm número: o polegar é o 1, o indicador o 2, o médio o 3, o anelar o 4 e o mindinho o 5. Vale para as duas mãos. Agora apoie a mão direita com o polegar no Dó central, assim cada dedo cai sozinho na branca seguinte: Dó, Ré, Mi, Fá e Sol, do 1 ao 5. Essa é a posição de cinco dedos, e quase tudo de que você vai precisar cabe ali sem mover a mão. Toque as cinco notas subindo e descendo, devagar, para ouvir se cada uma soa por igual. Se for difícil e o 4 ou o 5 saírem fracos, tudo bem: são os dedos menos treinados. Vá mais devagar, que com o peso do braço eles se igualam.

Sua nota de referência: tocar, imaginar, cantar

Já aconteceu de você começar uma música e perceber na segunda frase que começou alto demais? É para isso que serve o uso mais simples e mais valioso do piano: dar a nota de partida. Ele se faz em três tempos. Primeiro você toca a tecla e a ouve até o som sumir. Depois, em silêncio, imagina essa mesma altura (o quanto a nota é aguda ou grave) dentro da cabeça. Só então canta, suave e numa vogal confortável. No final, toca a tecla de novo enquanto sustenta, para conferir se coincidem. Esse passo do meio, imaginar antes de cantar, é o coração da lição 'Afinação: cantar a nota que você ouve'. Se for difícil e não coincidirem, é normal: tente com uma nota mais confortável, porque no centro da sua voz o ouvido se localiza mais fácil.

Guiar as suas próprias vocalizações

Com a posição de cinco dedos você já tem tudo para marcar uma vocalização sem depender de ninguém. Toque Dó-Ré-Mi-Fá-Sol-Fá-Mi-Ré-Dó e cante junto, assim a mão e a voz fazem o mesmo caminho. Depois você desloca a mão um semitom: o polegar passa para a preta ao lado e você repete o mesmo desenho dali. Continue subindo de meio em meio tom (outro jeito de dizer semitom) enquanto a voz estiver confortável e, quando chegar ao teto confortável, desça do mesmo jeito. Se for difícil misturar brancas e pretas, existe um atalho: você toca só a primeira nota de cada volta e o resto você canta, o que ainda treina o ouvido. É normal que no começo as pretas travem a mão. O piano marca o ponto de partida; a escala quem faz é a sua voz.

Tríades com três dedos e o truque para não saltar

Com os mesmos cinco dedos você monta acordes (várias notas que soam juntas) movendo quase nada. Uma tríade (um acorde de três notas alternadas) sai com os dedos 1, 3 e 5: Dó-Mi-Sol, o acorde de Dó. Para passar para o acorde de Fá sem saltar, o Dó fica parado e as outras duas notas sobem uma tecla branca: Dó-Fá-Lá. Para o de Sol, a mão desce só um pouco: Si-Ré-Sol, com o mindinho no mesmo Sol de Dó-Mi-Sol. Você volta para Dó-Mi-Sol e fecha a volta, que se chama encadeamento (a passagem de um acorde para outro). São os mesmos acordes de sempre com as notas reordenadas: isso é uma inversão (o mesmo acorde com as notas em outra ordem). Se for difícil, faça a troca primeiro sem som, olhando a mão: assim ela aprende o caminho.

Acompanhar-se: baixo na esquerda, acorde na direita

Com a direita resolvida, falta o chão do som, e aí entra a outra mão. A esquerda toca uma única nota grave, a fundamental (a que dá nome ao acorde): Dó para o acorde de Dó, Fá para o de Fá, Sol para o de Sol. No MIDI, essa volta se chama I–IV–V–I: os números romanos nomeiam cada acorde pelo seu lugar na escala (Dó é o I, Fá o IV e Sol o V). Para começar, um acorde a cada quatro tempos: as duas mãos juntas no primeiro tempo, e você deixa soar enquanto conta os outros três. Quando sair sem olhar, cante junto a tônica (a nota 'casa', onde tudo descansa; aqui, Dó) e depois uma melodia simples. Se coordenar as mãos for difícil, é normal: pratique cada mão sozinha por algumas voltas antes de juntá-las.

Transpor no teclado: a mesma forma, outra tecla

Pode acontecer de a vocalização de cinco notas ficar alta para você, ou de uma música ficar desconfortável. Em 'Escalas e tonalidade' você viu que transpor (cantar ou tocar o mesmo começando de outra nota) é mover tudo a mesma quantidade de semitons. No teclado, isso vira algo muito concreto: você mantém a forma da mão e a apoia a partir de outra tecla. Se a vocalização ficar alta, comece um tom abaixo e o desenho se repete idêntico. Com os acordes é igual: a mesma forma a partir de Ré soa em Ré. Se for difícil porque aparecem teclas pretas, é normal e acontece com quase todo mundo. Guie-se pelas distâncias e pelo ouvido, não pela cor: ficar só nas brancas mudaria as distâncias.

O piano do app e os exercícios MIDI

Para tudo isso você tem o piano do app, na ferramenta Piano e MIDI. Ele mostra uma ou duas oitavas (uma oitava é o trecho de um Dó até o seguinte) de acordo com a sua tela, com botões para subir ou descer. Quando o indicador diz Dó4, a primeira tecla branca da esquerda é o Dó central. Você toca com o mouse, com o teclado do computador ou com um teclado MIDI (um teclado físico ligado ao computador). Ele grava o que você toca, reproduz e exporta como MIDI (um arquivo que diz ao app quais notas tocar); só não importa esses arquivos. Os exercícios MIDI de cada lição são ouvidos na própria página ou baixados. A ideia é ouvir o exercício, tocar e gravar o seu acompanhamento, assim você canta junto com as mãos livres.

Rotina de dez minutos no teclado

Você já tem todas as peças; falta organizá-las para caberem no seu dia. Não precisa de sessões longas: dez minutos bem usados bastam. Comece com dois minutos de mapa, procurando todos os Dós do teclado e dizendo em voz alta o nome das teclas em volta do Dó central. Depois vêm dois minutos de cinco dedos, tocados e cantados. Em seguida, três minutos de uma vocalização que sobe de meio em meio tom, tocando só a primeira nota de cada volta. Feche com três minutos do encadeamento Dó, Fá, Sol e Dó, com o baixo na esquerda. Vale fazer isso antes da sua prática vocal, porque assim você chega com o ouvido ligado. Se num dia só der tempo para o mapa, também vale: o que soma é a constância.

O que você leva daqui

Hoje você aprendeu a se orientar no teclado: o Dó central fica à esquerda do grupo de duas pretas do meio, e as distâncias se contam de tecla vizinha em tecla vizinha. Também montou a sua posição de cinco dedos, que serve para se dar a nota e marcar vocalizações que sobem de meio em meio tom. E você leva três acordes que quase não movem a mão, Dó-Mi-Sol, Dó-Fá-Lá e Si-Ré-Sol, com o baixo na esquerda para se acompanhar. Para hoje, proponho algo pequeno: cinco minutos com a posição de cinco dedos no piano do app, tocando e cantando Dó-Ré-Mi-Fá-Sol e de volta. Depois, com calma, a pauta guiada do final espera por você para escrever essa mesma subida e descida em semínimas; você pode apagar e tentar quantas vezes quiser.

Pratique na pauta

Como se lê isto?
  • Linhas e espaços: cada linha e cada espaço é uma altura; quanto mais acima, mais agudo.
  • Figuras e durações: semibreve 4 tempos, mínima 2, semínima 1, colcheia meio.
  • Compasso: os números do compasso dizem quantos tempos cabem entre uma barra e a seguinte.
Revise 'Ler a pauta'

Cinco dedos em Dó: escreva Dó–Ré–Mi–Fá–Sol–Fá–Mi–Ré em semínimas, com as figuras exatas. Depois toque no piano do app, um dedo por tecla, e cante com o nome das notas.

ObjetivoDo4Re4Mi4Fa4Sol4Fa4Mi4Re4

Toque na pauta para escrever nessa altura; toque numa nota escrita para apagá-la. Com o teclado: ↑/↓ escolhem a altura, Enter escreve, Backspace desfaz.

Compasso

Coloque em prática

O que você acabou de ler se treina na plataforma: abra Piano e MIDI e aplique agora, com feedback real.

Abrir Piano e MIDI

Recursos de prática

Material real para levar a lição ao ensaio: o guia imprimível com a rotina passo a passo e os exercícios em MIDI prontos para reproduzir ou importar nas suas ferramentas.

Guia de prática imprimívelRotina cronometrada, exercícios, progressão semanal e lista de verificação. Imprima ou salve como PDF.
Encadeamento I–IV–V–I com inversõesA mão direita quase não se mexe (Dó–Mi–Sol, Dó–Fá–Lá, Si–Ré–Sol, Dó–Mi–Sol) e o baixo vai em outro canal: toque a 72 bpm e cante por cima a nota mais aguda.

Os arquivos MIDI são gerados na hora do download e abrem em qualquer reprodutor, DAW ou app de partituras. Estão escritos a partir de Dó4: transponha para a sua tessitura com as ferramentas.

Confira o que aprendeu

Três perguntas sobre a lição. Responda todas corretamente e a lição fica marcada como concluída na sua trilha.

1. Onde fica o Dó central no teclado?
2. No teclado, o que é um semitom?
3. Quando uma indicação diz 'dedo 1', de que dedo ela fala?